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A Truncagem de Cheques no Setor Bancário Brasileiro

Notícias

Mônica Mancini

O setor bancário brasileiro sempre foi caracterizado pelas inovações tecnológicas. Há várias décadas, este setor apresenta uma trajetória crescente do uso da TI nos seus modelos de negócios, o que permite uma grande agilidade nos fluxos de informação, eficiência operacional, redução de custos e, sobretudo, agregar valor aos seus clientes. Alguns exemplos são: Internet Banking, ATM´s, Cartões de Débitos, Cartões de Crédito, Biometria, Móbile Banking, Débito Direto Autorizado (DDA), entre tantos.

Um dos marcos dessa inovação foi a implantação, em 22 de abril de 2002, do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Seu objetivo é a utilização dos meios eletrônicos para transferência de fundos e liquidação de obrigações em substituição aos instrumentos baseados em papel. Isso possibilita aos clientes, governos, empresas, instituições financeiras possam transferir dinheiro para pagamento ou outras finalidades no mesmo dia, utilizando a Transferência Eletrônica Disponível (TED), sem a espera da compensação tradicional de cheques ou DOC´s.

A segunda etapa do SPB está concentrada na modernização dos instrumentos de pagamento de varejo, ou seja, dinheiro e cheque. As mudanças referem-se a redução do volume de papel, padronização dos protocolos de comunicação, integração das redes, segurança e, sobretudo, a truncagem de cheques. Neste cenário, apesar da tendência da diminuição do uso do cheque no mundo e no Brasil (por ex., no Brasil, foram processados 2.5 bilhões de cheque em 2002. Em 2008, este número diminuiu para menos de 1.5 bilhão, contra o aumento progressivo de outros meios de pagamento como o cartão de crédito e débito), o cheque continua sendo um importante instrumento de pagamento no Brasil, pois, além da facilidade de uso, o cheque também é utilizado como instrumento de crédito, conhecido como “Cheque pré-datado”.

Através da Circular 3.118, divulgada em 18 de abril de 2002, o BACEN permitiu aos bancos que firmassem acordos bilaterais para realizar a truncagem de cheques no sistema de compensação bancário brasileiro. No processo atual, quando um cheque é depositado em uma agência, o banco receptor transmite eletronicamente os dados para o Banco do Brasil. Por sua vez, este organiza, envia e repassa as informações aos bancos emissores. Paralelamente, o cheque, físico, também faz o mesmo percurso. Por exemplo, o cheque de uma agência de um banco localizado na Av. Paulista,  for depositado no interior do Ceará, a folha do cheque voltará para São Paulo a fim de que a compensação seja concluída.

Trucagem de Cheques, Consultoria em Projetos

Figura: Cheques
Fonte: Internet

Com a implantação da truncagem de cheques na compensação bancária, a trajetória do cheque físico termina quando ele entra na agência. O banco receptor transmitirá a imagem digitalizada dos cheques (envolvendo os aspectos de indexação, qualidade, transmissão e segurança da imagem e dos dados), sem a necessidade de enviá-los fisicamente ao banco emissor. Atualmente, muitos países já aderiram a truncagem de cheques, como os EUA com Check 21 (2004), a França com o Système Interbancaire de Télécompensation (SIT) em 2002, e a Espanha com o Sistema Nacional de Compensación Electrónica (SNCE), desde 1985.

A implantação da truncagem de cheques propicia muitos benefícios aos bancos, entre os quais: maior eficiência operacional, redução de fraudes e roubos de malote, redução de riscos devido a diminuição no trânsito de documentos, redução de custos de transportes dos cheques, eliminação dos custos de microfilmagem e redução do tempo e custo para a recuperação de documentação.

Por outro lado, os benefícios esperados aos clientes são: redução do tempo para a obtenção de cópias, agilidade na entrega de cheques devolvidos ao depositante e aceleração da compensação.

Os grupos de trabalho da Febraban tem discutido muito a respeito deste novo modelo e a melhor forma de implantá-lo com segurança e confiabilidade. A expectativa que a truncagem de cheques seja regra neste setor a partir do 2º semestre de 2010. Desta forma, o setor bancário brasileiro dá novos passos nas inovações tecnológicas rumo a Era Digital.

Texto escrito e publicado em: 14 de outubro de 2009, nº 3, Ano 2009 – Revista Document Management.

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